No dia 10 de outubro, em Ribeirão Preto (SP), foram divulgados os resultados preliminares de um estudo que investiga a terapia CAR-T no tratamento de linfoma e leucemia em pacientes brasileiros. Os dados mostram que quase 90% dos pacientes com linfoma que receberam essa terapia apresentaram resposta positiva.

Detalhes da pesquisa

O estudo, liderado pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, tem como objetivo avaliar a segurança e eficácia do tratamento, buscando subsidiar sua oferta no Sistema Único de Saúde (SUS). Até agora, 75 pacientes foram recrutados, dos quais 25 já estão em tratamento.

Resultados promissores

Segundo Rodrigo Calado, diretor-presidente do Hemocentro e principal pesquisador do Centro de Terapia Celular (CTC-USP), 18 dos pacientes tratados por linfoma apresentaram uma taxa de resposta de 88%, com a maioria tendo uma resposta completa, ou seja, o desaparecimento do linfoma.

Expectativas do ministro da Saúde

Durante a coletiva de imprensa sobre os resultados, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os pacientes participantes já haviam tentado outros tratamentos como quimioterapia e transplante de medula óssea. “A terapia CAR-T oferece nova esperança para esses pacientes”, afirmou Padilha.

Fases do estudo

A pesquisa está na fase clínica I/II, iniciada em março de 2024, e envolve cinco hospitais: Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto, Hospital de Clínicas da Unicamp, Hospital das Clínicas da USP, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo e Hospital Sírio-Libanês. O protocolo prevê a inclusão de pelo menos 100 pacientes que serão acompanhados por um ano após o tratamento.

Objetivo de inclusão no SUS

Os pesquisadores buscam desenvolver uma alternativa nacional para a terapia CAR-T, que já é utilizada em outros países, mas que possui custos elevados. “Atualmente, o tratamento pode custar até R$ 2,5 milhões, um valor que impede muitas famílias de acessá-lo. Com o avanço deste projeto, desejamos torná-lo um direito garantido pelo SUS”, concluiu Padilha.

Como funciona a terapia CAR-T

A terapia CAR-T envolve a modificação das células de defesa do próprio paciente em laboratório para que estas consigam reconhecer e combater células cancerígenas. O processo inicia com a coleta de sangue, seguido pela separação dos glóbulos brancos, que são enviados para o laboratório. Os linfócitos T são purificados e geneticamente modificados antes de serem multiplicados e devolvidos ao paciente, semelhante a uma transfusão, mas com a necessidade de monitoramento hospitalar.