Uma pesquisa internacional está trazendo novas esperanças para mulheres diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial. O estudo sugere que muitas dessas pacientes podem evitar a quimioterapia sem prejudicar suas chances de tratamento bem-sucedido. Os dados foram coletados durante o ensaio clínico OPTIMA, que focou no uso de um teste genômico para identificar as pacientes que realmente se beneficiariam da terapia.

Participação e Metodologia

O estudo envolveu mais de 4.400 mulheres com 40 anos ou mais, distribuídas em seis países: Reino Unido, Noruega, Suécia, Austrália, Nova Zelândia e Tailândia. A maioria das participantes apresentava câncer de mama sensível a hormônios e afetava linfonodos próximos, o que geralmente leva à indicação de quimioterapia para reduzir o risco de recorrência.

Teste Genômico Prosigna

Os pesquisadores utilizaram o teste genômico Prosigna, que avalia a atividade genética do tumor e estima a probabilidade de o câncer retornar. Com base nos resultados, pacientes com pontuação de até 60 foram submetidas apenas à terapia hormonal, enquanto aquelas com pontuações mais altas também iniciaram quimioterapia.

Resultados Promissores

Os resultados revelaram que aproximadamente 68% das participantes foram classificadas como de baixo risco. Após cinco anos de acompanhamento, 93,6% das pacientes desse grupo que receberam apenas terapia hormonal estavam livres da doença. Para aquelas que realizaram quimioterapia, a taxa foi de 94,8%.

Implicações e Benefícios do Estudo

A diferença entre os dois grupos ficou abaixo do limite de três pontos percentuais, considerado clinicamente aceitável pelos pesquisadores, o que sugere que a quimioterapia poderia ser evitada neste contexto. Além disso, apenas cerca de 2% das pacientes de baixo risco mostraram benefícios significativos com o tratamento quimioterápico.

População Diversificada

O estudo também incluiu mulheres em pré-menopausa e aquelas com mais de três linfonodos afetados, grupos geralmente menos representados em pesquisas desse tipo. Os resultados mantiveram consistência entre esses perfis, indicando que a abordagem pode ser amplamente aplicável.

Avanços na Personalização do Tratamento

O professor Rob Stein, do Instituto de Câncer da UCL, ressaltou que os resultados representam um avanço significativo na personalização do tratamento. Ele afirma que o OPTIMA ajuda a identificar quais pacientes realmente precisam da quimioterapia, permitindo que muitas mulheres evitem esse tratamento sem comprometer seus prognósticos.

Se o teste for amplamente adotado no sistema público de saúde britânico, estima-se que mais de 5 mil pacientes poderiam deixar de receber quimioterapia anualmente. Os resultados agora serão avaliados pelo NICE, o órgão responsável por analisar a adoção de exames e tratamentos no NHS, o sistema público de saúde do Reino Unido.