A síndrome do entardecer, um fenômeno que provoca agitação extrema e confusão mental durante o fim da tarde e a noite, afeta muitos idosos, especialmente aqueles com demência. Essa condição, conhecida também como sundowning, é ainda pouco discutida fora do ambiente médico, mas impacta a vida dos pacientes e de seus familiares.
O que é a síndrome do entardecer?
De acordo com o médico Gustavo Bruno Gonçalves, especialista em cuidados paliativos, essa síndrome é mais comum nas fases moderadas e avançadas da demência. Durante esses períodos, os pacientes podem experimentar aumento da irritabilidade, confusão e até alterações no sono, levando familiares a acreditar em um agravamento do estado de saúde.
Fatores que agravam os sintomas
Embora frequentemente associada à doença de Alzheimer, a síndrome do entardecer pode ocorrer em outras formas de demência, como a vascular e a frontotemporal. Diversos fatores podem piorar os sintomas, incluindo:
- Dor
- Infecções
- Constipação intestinal
- Desidratação
- Ambientes escuros
- Excesso de estímulos
- Alterações na rotina
É importante ressaltar que idosos com comprometimento cognitivo podem ter dificuldade em expressar desconfortos físicos, o que torna a identificação de problemas ainda mais desafiadora.
Impacto nos cuidadores
Além de afetar diretamente os pacientes, a síndrome do entardecer também causa forte desgaste emocional e físico em familiares e cuidadores. Relatos de privação de sono, exaustão e ansiedade são comuns entre aqueles que cuidam de idosos que apresentam essa condição.
Dicas para lidar com a síndrome
Para minimizar os episódios de agitação, algumas orientações práticas podem ser úteis. Manter uma rotina organizada, promover a exposição à luz natural ao longo do dia, evitar cochilos longos e criar um ambiente tranquilo e bem iluminado à noite são medidas recomendadas.
A importância do suporte profissional
A fisioterapeuta Daniele Chaves enfatiza que o apoio à família é essencial nesse processo. Compreender a condição e receber orientações adequadas permite que os familiares lidem melhor com as crises e ofereçam segurança aos pacientes. O suporte de uma equipe multiprofissional é fundamental para controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida de todos.
Cuidado com a automedicação
O médico Gustavo Bruno alerta sobre os perigos da automedicação e do uso inadequado de calmantes, ressaltando que mudanças bruscas no comportamento do idoso devem sempre ser avaliadas por um profissional. O uso indiscriminado de medicamentos pode resultar em quedas e piora da cognição.
