Um ato significativo contra o feminicídio tomou conta do gramado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na manhã desta terça-feira (9/6). A manifestação consistiu na exposição de dezenas de cruzes, cada uma representando mulheres brasileiras que perderam suas vidas de maneira trágica, com nomes e datas de nascimento e assassinato.

Justiça em memória de Daniella Pelaes

Entre os nomes destacados, está o de Daniella Pelaes, que foi assassinada pelo ex-marido em um condomínio no Jardim Botânico, em maio de 2024. A manifestação foi organizada pela família de Daniella, que se deslocou do Amapá para a capital federal, onde ocorrerá o júri do acusado, Janilson Quadros de Almeida, no dia seguinte.

A mãe de Daniella, Maria do Socorro Pelaes, compartilhou sua luta pessoal ao lidar com a dor da perda. "Eu me pego com Deus, peço força e fico em um silêncio profundo. É uma dor imensa. As perguntas dos meus netos me machucam ainda mais, pois não sei o que responder. A dor é insuportável", disse.

Uma homenagem e um clamor por justiça

Maria do Socorro ressaltou que o protesto é uma forma de honrar a memória de sua filha e buscar justiça. "É uma homenagem para buscar a justiça de Deus e a dos homens. Precisamos que esse crime não fique impune. Minha filha não merecia uma morte tão brutal", desabafou.

O cunhado de Daniella, Flávio Barreto, enfatizou que o objetivo do ato é pedir justiça por todas as mulheres vítimas de feminicídio. "Queremos clamar pela justiça da Dani e de tantas outras. Essas mulheres não podem ser reduzidas a meras estatísticas", afirmou.

Números alarmantes de feminicídios

Flávio também destacou a contradição em relação ao local onde muitas mulheres são assassinadas: suas próprias casas. "Estamos falando de 1.470 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, uma média chocante de cinco mulheres por dia. Esses números são alarmantes, como se estivéssemos em um país em guerra", acrescentou.

Continuação do protesto

Além da disposição das cruzes, o protesto terá uma segunda fase às 17h, com uma marcha que irá do gramado da Esplanada dos Ministérios até o Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é continuar a luta por justiça e conscientização sobre a violência de gênero no Brasil.