No dia 1º de junho de 2026, o Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou a proibição do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos. A decisão foi baseada em uma série de complicações graves que podem ocorrer, como alergias, inchaços, deformações e até morte.

Proibição oficial

A resolução nº 2.461/2026 publicada no Diário Oficial da União estabelece que o uso injetável do PMMA por médicos será definitivamente proibido a partir de 2 de junho. O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, ressaltou que essa decisão é crucial para a segurança dos pacientes, enfatizando a ética envolvida na prática médica.

Definição e riscos do PMMA

O PMMA é um polímero que, quando utilizado em estética, apresenta-se como um gel injetável e serve como um preenchedor permanente. No entanto, a cirurgiã plástica Graziela Bonin, relatora da resolução, alertou sobre os riscos associados ao uso do material, que pode causar inflamações crônicas e mutilações durante tentativas de remoção.

Dificuldades na remoção do produto

Segundo Bonin, a remoção do PMMA do corpo é um procedimento complexo e muitas vezes resulta em cirurgia mutilante, onde grandes áreas de tecido saudável podem ser afetadas. A médica destacou que, embora existam opções de tratamento, o uso de imunossupressores pode ser necessário ao longo da vida do paciente.

Exceções para uso médico

Uma única exceção para o uso do PMMA em procedimentos médicos foi preservada na resolução, que se refere ao tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids. Essa prática é autorizada apenas em unidades de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo rigorosos critérios clínicos.

Solicitação de banimento à Anvisa

Em janeiro de 2025, o CFM já havia solicitado à Anvisa o banimento total do PMMA como preenchedor, motivado por incidentes fatais relacionados ao uso do produto por profissionais não médicos. O CFM planeja se reunir novamente com a Anvisa para discutir a proibição total do material.

Posição da Anvisa

A Anvisa, por sua vez, defende que o PMMA é seguro quando utilizado conforme as diretrizes estabelecidas, e não vê necessidade de restrições adicionais. A agência reconhece que o PMMA pode ser utilizado para corrigir defeitos de saúde, mas não para fins meramente estéticos, e deve ser administrado exclusivamente por médicos qualificados.