A pergunta sobre se você se considera pobre, rico ou parte da classe média pode ser respondida com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2025. A Folha disponibilizou uma calculadora que permite aos interessados descobrir sua posição na distribuição de renda no Brasil.

Como Funciona a Calculadora

Para utilizar a ferramenta, o usuário deve inserir duas informações: a renda total do domicílio em valores médios de 2025 e o número de pessoas que vivem dessa renda mensalmente. É possível incluir diversos tipos de rendimentos, como:

  • aposentadorias e pensões;
  • aluguel e arrendamentos;
  • programas sociais de transferência de renda;
  • outros rendimentos, como juros de aplicações financeiras.

Com esses dados, a calculadora calcula a renda domiciliar per capita, ou seja, o total de recursos divididos pelo número de moradores, incluindo crianças e não trabalhadores. Por exemplo, uma mãe solo que ganha R$ 5.000 e vive com um filho terá uma renda per capita de R$ 2.500.

Diversidade na Distribuição de Renda

De acordo com o IBGE, a renda por pessoa entre os 5% mais pobres foi de até R$ 299 mensais em 2025. Expandindo a análise para os 30% mais pobres, o rendimento máximo alcançou R$ 906. Na camada intermediária, onde a renda varia entre R$ 906 e R$ 2.958, se encaixa o exemplo da mãe mencionada anteriormente.

Os 20% mais ricos, por sua vez, tinham renda acima de R$ 2.958, embora essa faixa seja bastante heterogênea. Para uma análise mais precisa, especialistas recomendam olhar mais de perto os 10% e 5% mais ricos, que apresentaram rendas per capita de R$ 4.609 e R$ 6.900, respectivamente. O 1% mais rico do país obteve rendimento superior a R$ 15.214 mensais.

Desafios na Coleta de Dados

As informações do IBGE são baseadas em um módulo da Pnad Contínua, que é amostral e resulta de entrevistas realizadas com uma amostra representativa da população. Embora a pesquisa capte bem dados sobre trabalho e programas sociais, pode enfrentar dificuldades ao medir ganhos variáveis, como dividendos e aplicações financeiras, que afetam mais as classes altas.

Desigualdade e Crescimento da Renda

O economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social, destaca que a desigualdade de renda medida pelo índice de Gini aumentou em 2025, após ter atingido um mínimo histórico em 2024. Apesar disso, o rendimento domiciliar per capita cresceu tanto para os mais pobres quanto para os mais ricos, com um aumento mais significativo entre os que ganham mais.

“A desigualdade se mexe pouco no Brasil. Apesar dos esforços para reduzi-la, a boa notícia é que a renda tem crescido para todos”, conclui Neri, sinalizando uma leve esperança de melhoria nas condições socioeconômicas do país.