O Brasil se posiciona como um destaque em maturidade digital no setor energético, conforme avaliação de Thiago Ribeiro, head global para indústrias de Energia, Química e Infraestrutura da Siemens. Ele afirma: "O Brasil não deve nada a ninguém, temos grandes escolas de engenharia e empresas com líderes visionários".

Inovação e Sustentabilidade

Ribeiro, que possui vasta experiência nos setores de Óleo e Gás, acredita que é uma questão de tempo até que as grandes empresas brasileiras, especialmente em energia e mineração, se tornem referências globais na exploração de recursos naturais com o auxílio de tecnologia. Ele destaca a importância da adesão à inovação, especialmente considerando a necessidade de retorno aos acionistas em um contexto de descarbonização.

Exemplo da Petrobras

Um exemplo citado por Ribeiro é a parceria entre a Petrobras e a Siemens, que resultou na criação de um "armazém digital" para peças essenciais da operação da estatal. Esse repositório digital não só mantém registros, mas também possibilita a reengenharia de componentes, tornando-os mais robustos e sustentáveis, utilizando materiais com menor impacto ambiental.

Desafios do Setor

Entretanto, Ribeiro também aponta que a indústria energética no Brasil enfrenta desafios similares aos de outras partes do mundo. O risco de desastres ambientais, como vazamentos de petróleo, leva as empresas a adotarem uma postura conservadora em suas operações, o que pode limitar a adoção de inovações mais arrojadas.

Uso de Tecnologias Digitais

De acordo com um estudo da Deloitte, 41% das empresas do setor já utilizam tecnologias digitais amplamente, incluindo computação em nuvem e análise de dados, mas a implementação de inovações disruptivas ainda é baixa. A pesquisa indica que a pressão por resultados rápidos e a falta de maturidade cultural dificultam investimentos em projetos mais ousados.

Potencial em Terras Raras

Ribeiro também menciona o potencial do Brasil na mineração de terras raras, ressaltando que o país possui tecnologia avançada nesse setor. No entanto, ele observa que a China ainda domina o beneficiamento desses minerais. Para avançar, o Brasil precisa de um marco legal que aborde a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, atualmente em tramitação no Senado.

Por fim, Ribeiro destaca que, apesar dos desafios, o Brasil tem a capacidade de elevar sua tecnologia além dos laboratórios de pesquisa, especialmente se houver progresso nas legislações que regulamentam a exploração dos minérios.