O Brasil alcançou em 2024 um novo marco ao atingir o índice de "muito alto desenvolvimento humano" pela primeira vez, conforme dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) nesta terça-feira (26). O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) subiu para 0,805, superando a faixa de 0,800, que define o nível elevado de desenvolvimento humano.
Comparativo Histórico
Esse avanço é significativo, considerando que em 2012 o IDHM brasileiro era de apenas 0,744. O indicador é calculado com base em três dimensões: renda, educação e longevidade, em uma escala que varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior é o nível de desenvolvimento humano.
Desigualdade entre Grupos Sociais
Apesar do progresso nacional, o relatório do PNUD destaca que esse crescimento não foi uniforme. A desigualdade entre grupos sociais e regiões do Brasil persiste, com dados mostrando que a população branca alcançou um IDHM de 0,851, enquanto a população negra registrou 0,774, considerado alto, mas abaixo do índice da população branca.
Desigualdade de Gênero
Além das disparidades raciais, o relatório também traz à tona a desigualdade de gênero. Os homens apresentaram um índice de 0,802, em contraste com 0,798 das mulheres. Embora a diferença geral seja menor, as desigualdades se acentuam quando analisadas especificamente em relação à renda do trabalho.
Desenvolvimento Ajustado pela Desigualdade
O estudo ainda aponta que, ao considerar a desigualdade, o desenvolvimento humano no Brasil se mostra distante da média nacional. Em 2012, o IDHM ajustado pela desigualdade colocava o país na faixa de baixo desenvolvimento humano, enquanto em 2024, ele foi classificado como médio.
Ranking dos Estados
O relatório revela que todos os estados brasileiros conseguiram recuperar e superar os índices observados antes da pandemia. Atualmente, dez estados estão na faixa de muito alto desenvolvimento humano. O Distrito Federal se destaca com o índice de 0,866, seguido por São Paulo com 0,838 e Santa Catarina com 0,833.
Desafios Futuros
No entanto, o Maranhão se posiciona como o estado com o menor IDHM, alcançando 0,745, seguido por Alagoas e Acre, que registraram índices de 0,746 e 0,754, respectivamente. O PNUD ressalta que, embora o avanço do IDHM reflita políticas públicas implementadas nas últimas décadas nas áreas de saúde, educação e geração de renda, os ganhos ainda são desigualmente distribuídos entre a população brasileira.
