A balança comercial do Brasil demonstrou um desempenho positivo em abril, contribuindo significativamente para as contas externas do país. O superávit comercial, que alcançou US$ 9,7 bilhões no mês, ajudou a mitigar os impactos negativos de um déficit maior do que o esperado na renda primária.

Déficit em Transações Correntes

De acordo com o balanço de pagamentos divulgado pelo Banco Central, o Brasil registrou um déficit em transações correntes de US$ 1,8 bilhão em abril. No acumulado de 12 meses, essa cifra se manteve estável em US$ 64,3 bilhões, o que corresponde a 2,66% do PIB, ligeiramente abaixo dos 2,70% registrados em março.

Impacto do Superávit Comercial

A economista Luiza Pinese, da XP, destaca que, apesar do déficit elevado na conta corrente, o superávit comercial foi impulsionado por um aumento nas exportações de commodities, como petróleo bruto e soja. Esse resultado foi crucial para atenuar o impacto da renda primária, que apresentou um déficit de US$ 6,8 bilhões.

Expectativas para 2026

Os especialistas acreditam que a balança comercial continuará a ser um fator central na melhoria das contas externas em 2026. Pinese prevê que o aumento nos volumes e preços das exportações deve compensar as importações elevadas, mesmo diante da pressão contínua da renda primária e dos serviços sobre o déficit em conta corrente.

Déficit em Serviços e Viagens

O déficit na conta de serviços também apresentou crescimento, alcançando US$ 5,0 bilhões em abril, em comparação a US$ 4,1 bilhões no mesmo mês do ano anterior. A piora é atribuída ao aumento das despesas com viagens internacionais, que cresceram 34,8% e resultaram em um déficit líquido 66% maior.

Investimentos Diretos no País

André Valério, economista sênior do Inter, ressalta que, apesar do déficit em transações correntes, a economia brasileira se mantém em uma posição externa confortável, sustentada por investimentos diretos que somaram ingressos líquidos de US$ 8,9 bilhões em abril. No último ano, o total acumulado foi de US$ 79,2 bilhões, representando 3,28% do PIB.