No congresso da Sociedade Norte-Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2026, realizado em Chicago, foram apresentados resultados que podem mudar a forma como o câncer é tratado. Pesquisas inovadoras demonstram que novas substâncias têm potencial para aumentar significativamente a sobrevida dos pacientes, além de proporcionar mais tempo em remissão.
Tratamento Promissor para Câncer de Pâncreas
Um dos estudos de destaque foi o RASolute 302, conduzido pelo Dana-Farber Cancer Institute. Este estudo mostrou que o medicamento daraxonrasib, uma pílula diária, conseguiu dobrar a sobrevida de pacientes com câncer pancreático metastático, passando de 6,7 meses para 13,2 meses. Os pacientes que receberam o daraxonrasib também apresentaram uma remissão média de 7,2 meses, significativamente superior aos 3,6 meses do grupo que recebeu quimioterapia de segunda linha.
Uma Nova Era na Oncologia
De acordo com Felipe José Fernández Coimbra, do A.C.Camargo Cancer Center, os resultados indicam uma nova fase na oncologia, com foco em drogas que atacam mutações da família RAS. É importante ressaltar que os pacientes do estudo já estavam em tratamento avançado, o que torna os resultados ainda mais impactantes. No entanto, o daraxonrasib ainda não foi aprovado pela Anvisa no Brasil.
Resultados Inéditos para Câncer de Cabeça e Pescoço
Outra pesquisa significativa apresentada foi realizada pelo Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, que analisou a eficácia do amivantamab, uma injeção de tripla ação. Este tratamento mostrou resultados promissores, com 15 dos 102 pacientes apresentando a erradicação total do tumor. O estudo focou em pacientes que não responderam à imunoterapia e quimioterapia, uma situação comum no Brasil, onde cerca de 40 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço são diagnosticados anualmente.
Eficácia do Amivantamab
Os dados mostraram que 28 pacientes tiveram redução significativa dos tumores, e 15 estavam completamente livres da doença. Segundo Gilson Gabriel Viana Veloso, oncologista do Grupo Oncoclínicas, esses resultados são animadores, pois muitos pacientes com câncer de cabeça e pescoço enfrentam sintomas debilitantes e a nova terapia pode melhorar a qualidade de vida.
Próximos Passos e Implicações
Embora o amivantamab esteja atualmente aprovado apenas para o tratamento de câncer de pulmão no Brasil, os resultados deste estudo são um passo importante para sua possível utilização em câncer de cabeça e pescoço. Assim que aprovado pela Anvisa, essa medicação poderá se tornar um novo padrão de tratamento, oferecendo esperança a muitos pacientes que atualmente têm opções limitadas.
