A crescente pressão nas redes sociais pelo fim da escala 6x1 – modelo que prevê seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga – está levando o tema a ser amplamente debatido no Congresso Nacional. Dados da 2L Digital revelam que, entre 1º de março e 24 de maio, foram contabilizadas mais de 220 mil publicações nas plataformas digitais, destacando um tom majoritariamente negativo contra parlamentares que defendem a manutenção dessa jornada.
Contexto da Pesquisa
O estudo aponta que 68% das postagens relacionadas à escala 6x1 foram negativas, enquanto 22% se mostraram neutras e apenas 10% positivas. As críticas se concentraram principalmente em relação ao Congresso, que é visto como um dos principais obstáculos para a reforma da jornada de trabalho.
Aprovação na Câmara dos Deputados
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que busca alterar a jornada de trabalho foi aprovada na Câmara em 27 de maio. A nova medida prevê a redução da carga horária de 44 para 42 horas semanais em um prazo de 60 dias, e para 40 horas até 2027, com a implementação da escala 5x2, sem redução salarial.
Picos de Engajamento nas Redes
O levantamento da 2L Digital identificou um aumento nas menções ao tema ao longo de abril, culminando em um pico de engajamento nos dias 20 e 21 de maio, períodos em que a proposta estava em tramitação na Câmara. Quatro momentos-chave foram destacados: o envio do projeto em regime de urgência em 15 de abril, o Dia do Trabalhador em 1º de maio, a votação na Câmara em 20 de maio, e a controvérsia em torno de uma emenda que visava adiar a implementação para 2036.
Impacto da Pressão Digital
Leonardo Lima, chefe da 2L, afirma que a pressão nas redes sociais foi crucial para moldar o cenário político que culminou na aprovação da proposta pela Câmara. Ele ressalta que, embora outras formas de pressão também estejam presentes no Congresso, a mobilização digital tem uma relação clara com a mudança de postura dos parlamentares.
Próximos Passos
A pesquisa também destacou um episódio emblemático, onde sete dos nove deputados federais da Bahia retiraram suas assinaturas de uma emenda que adiava a implementação da medida, após forte repercussão negativa nas redes. O estudo sugere que o foco agora se volta para o Senado, onde a pressão digital deve aumentar, especialmente sobre os parlamentares que se opõem à proposta.
Uma nova fase da pesquisa já está em andamento, monitorando os desdobramentos da votação na Câmara e a tramitação da proposta no Senado, evidenciando a continuidade do debate público em torno dessa questão trabalhista.
